Portfólio – Sem isso, esqueça!

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Recentemente, o experiente ilustrador Ricardo Antunes, autor do “Guia do Ilustrador” fez um resumo sobre a importância do portfólio na vida de um ilustrador.

Leia a seguir as principais dicas do Ricardo:

 

– Só se pode sonhar em entrar no mercado de trabalho sabendo trabalhar.

Parece óbvio, mas tem havido problemas nesse sentido na área de ilustração. Alguém já contratou um pedreiro que não sabe fazer cimento? Ou um médico que não entende de medicina? Você contrataria um advogado que não entende de leis?

Para ser um ilustrador tem que saber ilustrar bem, e isso implica em estudar muito, pesquisar muito, treinar muito, ter uma bagagem cultural mínima, e acima de tudo saber desenhar e saber pintar de forma competente. Sem isso, esqueça!

 

– O portfólio é o seu cartão de visitas profissional.

Se ele tiver problemas significa que você é um profissional com problemas e ninguém contrata um profissional com problemas… Por isso é imperdoável um portfólio ‘meia boca’. Sem um bom portfólio, esqueça!

 

– Portfólio é um resumo do que um artista faz, ou seja, uma compilação dos melhores trabalhos feitos.

Um portfólio básico tem uns 20 trabalhos, mais ou menos. Se um portfólio tem apenas 5 ou 6 trabalhos com todos eles ‘meia boca’, é óbvio que essa pessoa não produz nada. E não adianta correr para fazer 20 trabalhos e completar o portfólio. Mais uma vez, 20 trabalhos é o resumo do que já se produziu, e não o máximo que se conseguiu produzir até hoje. Sem isso, esqueça!

 

– A ansiosidade é o maior dos defeitos hoje em dia em quem está começando.

Todo mundo quer entrar logo no mercado depois de ter feito meia dúzia de desenhos, ganhar rios de dinheiro, ser publicado, brilhar, ter os holofotes na cara, ser famoso e dar autógrafos.

Não dá! Ser ilustrador não é o mesmo que entrar no ‘Big Brother’. Tem que estudar muito, pesquisar muito, treinar muito… E quando se diz “MUITO” é muito mesmo. Não é em um final de semana ou com dois ou três trabalhos novos que se melhora.

Colocando o dedo na ferida: para quem está começando, um ano de estudo e de treino é muito pouco para estar preparado para o mercado, o ideal seria, no mínimo, uns dois ou três anos…

Mas quando se fala isso a um iniciante sempre se escuta um monte, a pessoa xinga, se sente ofendida, diz que ninguém entende a “arte” dela, diz que os veteranos não querem deixar os iniciantes entrarem no mercado e outras bobagens do gênero. Essas são dicas de amigos, preocupados com a boa formação e a boa estrutura profissional de colegas iniciantes.

Quer entrar no mercado mesmo assim? Siga em frente e boa sorte, mas depois não se queixe de não conseguir trabalho. Ou então, se quiser ser famoso sem precisar ralar, se candidate ao próximo ‘Big Brother’.

 

– Tenha autocrítica!

Você se olha no espelho e sabe dizer se está bem penteado ou não e sabe disso se comparando também com outras pessoas na rua. Faça o mesmo com seu trabalho.

Compare seus trabalhos com outros grandes profissionais, aprenda os pequenos macetes que eles fazem, analise a qualidade técnica que eles produzem, e no fim, compare com o que você faz. Se eles já são profissionais é por algum motivo.

 

– Evite pedir opinião para amigos em sites de relacionamento tipo Deviantart, Orkut e outros.

Amigos que não entendem nada de arte e desenho vão dar a mesma opinião que aquela tia velha e vão achar tudo lindo.

Ter um monte de amigos no Orkut elogiando seus trabalhos pode encher seu ego, mas não faz de você um bom artista, além do que, isso cria a falsa ilusão de que está arrasando nos trabalhos.

Não peça opinião em sites de relacionamento, não peça opinião para tias velhas e nem para outros amigos iniciantes (que também não têm critério). Peça sempre opinião a profissionais.

 

– Portfólio é só metade do que interessa.

A outra parte é o profissionalismo. E sem profissionalismo, não existe a mais diminuta chance de se conseguir trabalho.

A área de ilustração é exigente, com prazos curtos, exigindo qualidade, talento, inteligência, rapidez, pontualidade, limpeza e postura profissional.

Quer ser um profissional? Então porte-se como um profissional. Quer ser respeitado como profissional? Então porte-se como profissional. Como você quer que um cliente encare alguém como profissional se essa pessoa não se porta assim? Sem isso, esqueça!

 

– Para ser respeitado você tem que se respeitar e respeitar o seu próprio trabalho.

Se você não tiver orgulho e respeito pelo que faz então ninguém vai fazer isso por você. Quem trata o próprio portfólio por ‘trampo’, ‘bico’, ‘bagaça’, ‘troço’ e outros, não vai nunca conseguir o respeito de quem o contrata. Quem faz ‘trampo’ é office boy, quem faz ‘bico’ é camelô… Nós fazemos Ilustração e Arte, com orgulho. Sem isso, esqueça!

 

– Saiba se expressar bem.

Hoje em dia a maior parte da comunicação com cliente se faz por e-mail. Então, escrever bem e saber se comunicar faz parte do profissionalismo. Falhas graves de comunicação podem fechar portas. Sem isso, esqueça!

 

Resumo:

Tudo o que foi dito acima tem apenas um único objetivo: quando se faz um contato com um cliente, ele tem que gostar do seu portfólio e querer contratá-lo. Em outras palavras, a primeira impressão é a que fica…

E não existe uma segunda boa impressão. Se chegar em um cliente e ele não gostar de você pela sua postura ou por seu portfólio ser fraco, então esqueça. Ele não vai dar uma segunda chance e as portas estarão definitivamente fechadas.

Ser um ilustrador profissional é um trabalho como outro qualquer. Exige empenho, profissionalismo e dedicação. O talento é apenas uma das competências exigidas.

Conheci inúmeros ilustradores muito talentosos que não conseguiram se firmar na profissão, porque insistiam em levar uma vida fora dos padrões exigidos pelo Mercado. Pois, como já dizia uma das minhas frases favoritas:

 

Não basta ter talento, tem que ser profissional!

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