O Design de Sun Tzu: Preparação

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Continuando a série Design de Sun Tzu iremos ver o quarto capítulo da obra Preparação. Este capítulo exige grande reflexão, não por ser complexo demais e sim pelo fato de ser um assunto que dá diversas, e diversas voltas no seu pensamento, então leia com bastante atenção e vá tirando suas conclusões, realmente refletindo, estudando o inimigo.

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Preparação

O que é ser invencível? O que é invencível?

Tudo aquilo que não pode ser derrotado, que não se pode vencer e considerado invencível.

Geralmente a ideia de invencibilidade se ilustra facilmente com guerreiros, seres que dentro do campo de batalha eram considerados invencíveis, não havendo pessoa capaz de derrota-los.

E muito comum as pessoas acharem que a invencibilidade é um status permanente mas não é, a invencibilidade é um status “mutável”, ela muda de situação para situação.

Uma pessoa que é considerada invencível nunca pode ser derrotada, porém isso não é verdade. Tudo pode ser vencido! Mas como assim? Se uma pessoa invencível pode ser derrotada ela deixa de ser invencível. Sim, a invencibilidade só existe até o momento que descobrimos alguma vulnerabilidade, enquanto isso não acontece a pessoa continua invencível, por isso a atribuição de “mutável”.

Um caso que se encaixa perfeitamente é a história de Aquiles na guerra de Tróia. O famoso Aquiles era considerado um guerreiro invencível, quando criança, sua mãe Tétis o mergulhou no Rio Estige, que o tornou invulnerável, exceto no calcanhar, por onde a sua mãe o segurava, e como já sabemos Aquiles foi morto por uma flecha envenenada atirada por Páris e guiada por Apolo que atingiu seu calcanhar.

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Até um Deus é vulnerável. Ainda na esfera da mitologia, Ares o Deus da Guerra, um guerreiro extremamente violento e sanguinário comumente perdia para Atena deusa da Sabedoria ou da guerra estratégica. – E os dois, mais o Olimpo inteiro apanharam para o Kratos do God of War

Nos tempos antigos, os grandes guerreiros se tornavam invencíveis, e depois buscavam as falhas de seus inimigos. Ser invencível significa conhecer a si mesmo, ser vulnerável significa conhecer ao outro. Por essas razões, um guerreiro pode ser invencível, mas não pode tornar o inimigo vulnerável.

Agora começa a reflexão. Todos nós somos invencíveis e ao mesmo tempo vulneráveis.

Quando conhecemos o nosso jeito, sabemos que determinadas situações não nos abalam, que determinados problemas podem ser resolvidos com facilidade, evitamos certas atitudes que podem implicar em problemas etc … de certa forma, diante disso nos tornamos invencíveis.

Essa invencibilidade não torna o seu inimigo vulnerável, muito pelo contrário, torna você vulnerável, ela gera uma auto-confiança que não pode existir em demasia durante a batalha, também, o fato de você estar preparado para qualquer situação (Ser invencível) não elimina o elemento surpresa.

Se você não conhece seu inimigo você se torna vulnerável, se você conhece, você se torna invencível!

A vulnerabilidade existe quando não sabemos o que nós espera, já a invecibilidade parte da via oposta

Myamoto Musashi foi o maior samurai que existiu no Japão, era invencível por sempre conhecer seus inimigos. Uma história diz que certa vez ele recebeu um convite para um duelo contra um samurai tido como invencível também, e junto ao convite havia um buquê de flores, Musashi passou horas analisando o buquê, e acabou deduzindo pelo jeito do corte do caule das flores, o estilo de luta, a posição, forma de segurar a espada e o sentido dos golpes do oponente. Quando chegou o dia do combate é lógico que Musashi venceu.

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Ele era vulnerável até o momento que ele não conhecia o que estava por vir, mas quando ele passou a conhecer voltou a ser invencível.

A invencibilidade está na defesa; a vulnerabilidade, no ataque. Quem tem poucas forças se defende, quem tem bastante ataca. A defesa é para tempos de escassez, o ataque para tempos de abundância. Os especialistas em defesa se escondem nas profundezas da terra; os em ataque, no mais alto céu.

Dessa maneira podem proteger-se e conseguir a vitória total. Prever a vitória quando qualquer um pode conhecer não constitui a verdadeira habilidade. Muitos elogiam a vitória ganha em batalhas, mas esta não é boa. Não precisa muita força para levantar um cabelo, não é necessário ter uma vista aguda para ver o sol e a lua, nem se necessita ter muito ouvido para escutar o retumbar do trovão.

O que todo mundo conhece não se chama sabedoria; a vitória sobre os demais obtidas por meio da batalha não se considera uma boa vitória. Nos tempos antigos, os bons guerreiros venciam quando era fácil vencer. Por essa razão, as vitórias conseguidas por eles não trouxeram reputação, sabedoria, mérito ou distinção.

A gente se prende a nossa invencibilidade, pessoal sempre se atentando apenas para o nosso jeito, e acabamos esquecendo de analisar o inimigo, e isso nos deixa vulneráveis a várias situações ruins. Seja na batalha contra o cliente para a aprovação do trabalho, seja na concorrência com outros designers, seja na prostituição do mercado … enfim, seja na vida, devemos conhecer o que nos deixa vulneráveis, ou seja conhecer o inimigo.

Em mundo cada vez mais concorrido, principalmente na área de Design, se prender apenas ao nosso jeito nos faz profissionais uniformes. Veja quantos estudantes há na sala se vocês, com quantas pessoas vocês já estudaram ou estudarão, todas tem a mesma base, logo a mesma invencibilidade, todos conhecem a si, conhecem seus colegas, mas não conhecem o inimigo, todos se escondem “nas profundezas da terra, ou no mais alto céu” e a vitória obtida por estes não conta, pois ela é fácil, do jeito que todo mundo faz.

Os que conhecem o inimigo são os que se destacam, eles pensam de maneira diferente, adquirem uma visão diferenciada.

Suas vitórias não foram casuais, não dependeram da sorte, nem foram notadas como atos de bravura. Elas já existiam, e simplesmente consistiram em se impor sobre quem já havia perdido. O bom guerreiro toma posição onde não pode perder eatenta ao que leva o inimigo à derrota.

É comum focarmos em como se tornar invencível para enfrentar uma batalha, atentando aos nossos erros (“Conhecendo a si mesmo”), é certo, mas junto a isso devemos se atentar aos erros do inimigo ,”ao que leva ele à derrota“, dessa forma a batalha é ganha antes mesmo de lutar – A habilidade suprema não consiste em ganhar cem batalhas, mas sim em vencer o inimigo sem combater -.

Os que são hábeis com armas cultivam o caminho e observam as leis. Assim, podem se impor sobre a corrupção

Estude o inimigo! Estude você! Estude o cliente! Estude o trabalho. Estude Tudo! Essa é a verdadeira forma de alcançar a invencibilidade e se destacar em meio a batalha.

 

Autor: Matheus Conti Rocha

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