O Design de Sun Tzu: O Combate

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No segundo capítulo, O Combate, Sun Tzu vai focar na velocidade das guerras, elas devem ser extremamente rápidas para assim conservar recursos e poder.

É interessante a forma que ele trata este assunto pois neste capítulo conseguimos notar a sua atemporalidade, há um exemplo muito bom que posso citar usando a nota do tradutor do livro, André Bueno.

Sun Tzu disse:

Nunca houve guerra longa que fosse benéfica para qualquer um dos reinos envolvidos.

Quem sabe usar as armas, não convoca seu exército duas vezes nem lhe dá três refeições.

André Bueno por sua vez comenta em uma nota:

Isso está mais que claro nas guerras atuais; a primeira invasão do Iraque, por exemplo, foi considerada um sucesso; a segunda guerra do Iraque, bem como a guerra do Afeganistão ou como foi a do Vietnã, são consideradas tragédias que deveriam logo acabar por uma substancial parcela da opinião pública.

Não precisa explicar muito para constatar e entender este fato, então vamos ao que interessa. Como aplicar estes ensinamentos do capítulo O Combate no Design.

O combate

Sun Tzu disse:

Quando começa a batalha, mesmo que esteja ganhando, não se demore muito ou suas tropas vão desanimar e perder a vontade. Num cerco, sua força vai se exaurir; se seu exército está em campo há muito tempo, os mantimentos vão acabar.

A questão de velocidade não é terminar rápido, e sim, de não ultrapassar o tempo que foi imposto.

Você não pode se pendurar em um trabalho ultrapassando o tempo que você mesmo estipulou.

Este tempo que você mesmo calcula é considerado rápido.

Pare e observe. Por mais que o objetivo seja alcançado no final, o desgaste psicológico causado por um projeto que sai do limite de tempo imposto por você é grande, as vezes até fisicamente este desgaste é visível, gerando assim um estresse durante o projeto até sua conclusão.

Quando isso acontece é muito fácil cair na armadilha da procrastinação, a tendência é tentar adiar ou resolver de forma rápida e de qualquer jeito, pois falta motivação, há estresse, pressão entre outras variavéis.

Para entender melhor imagine a seguinte situação aplicada no cotidiano.

Um cliente pede um trabalho, você diz a ele que será entregue no prazo 2x, porém você não calculou o tempo corretamente (Avaliações)  tendo assim que ultrapassar este prazo. O que era 2x agora é 4x, só que o cliente precisa em um prazo 3x.

Sun Tzu disse:

Se as tropas estão cansadas, suas armas gastas, seus mantimentos  escassos e a vontade se foi, a intriga, o motim e as más influências dos inimigos vão se manifestar em breve. Mesmo os bons conselheiros não poderão resolver isso, nem fazer planos para o futuro.

Com certeza o cliente irá fazer aquela cobrança exagerada, te causando um estresse exagerado, fazendo uma baixa no seu desempenho, na sua motivação, na sua forma de agir, pensar.

Um verdadeiro efeito dominó psicológico que influencia diretamente no projeto.

Outra questão abordada neste capítulo é o uso de recursos do inimigo.

Sun Tzu disse:

Evite usar as armas e os mantimentos do seu país; tire-os do seu inimigo, e assim estará bem abastecido.

O designer trabalha com informação.

Ele altera ou cria a informação de modo que ela ganhe um caráter social ou filosófico para um determinado público. A melhor forma de alterar essa informação é usando os recursos que este público têm.

Recursos seria a ideia de saber como este público pensa e interpreta  a informação que você pretende criar ou modificar. Sabendo destes “requisitos”, você estará usando os recursos psicológicos do público em questão para o seu objetivo, consequentemente, você estará em partes deixando de usar os seus próprios recursos psicológicos. É impossível deixar de usar os seus recursos completamente, porque sempre será preciso usá-los, mesmo que em pequenas quantidades.

Com isso finalizo o segundo capítulo.

Eu queria ressaltar que A Arte da Guerra não é uma receita de bolo, há milhões de interpretações e aplicações para os seus ensinamentos, então, façam adaptações para a realidade de vocês, ou melhor, leiam o livro e busquem entender.

Maquiavel explica isso. É melhor fazer uso da própria inteligência, da própria interpretação.

E porque existem três espécies de inteligência – uma, que apreende por si mesma; outra, capaz de discernir orientada pela percepção alheia, e uma terceira, inepta para ambas essas modalidades de entendimento – e também pelo fato de a primeira ser excelente, de a segunda ser muito boa e de a terceira ser simplesmente inútil …

Autor: Matheus Conti Rocha

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