O cliente PENSA que tem razão?

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Quem sabe, uma das maiores dores de cabeça do mundo “desaiguinístico” é o fato do cliente quase nunca aceitar de primeira uma proposta de layout. Todos sabemos o quanto é frustrante colocar no papel ou tela um projeto recém brifado e topar com um cliente de cenho franzido, com aquele olhar de quem vai te tomar o mouse.

Muitos profissionais recém saídos da faculdade ou de cursos de design topam de cara coma realidade nua e crua do mercado brasileiro, e por que não dizer mundial, afinal de contas quem tem amigos lá fora sabe que este é um drama que assola a profissão no planeta todo. Todo profissional adoraria ter uma proposta aprovada de primeira, mas sabemos que ler a mente do seu cliente é algo muito difícil, mas o que nos deixa mais esquentados é a velha dúvida: O cliente não confia no meu trabalho? Eu sei o que estou fazendo, estudei pra isso, então porque ele pensa que tem razão?

Vamos aos fatos. O cliente em sua maioria cuida de seu negócio desde sua fundação, muitas vezes passou por poucas e boas e desenvolveu um método próprio para sobreviver no mercado (muitas vezes injusto). Deu seu sangue para ver sua empresa crescer e ninguém melhor do que ele para saber o que é melhor para seu produto, não é? É exatamente isso que o cliente pensa.

Quando surge a necessidade de um produto de design, ele vai ao designer (quando não vai ao famoso sobrinho) e lhe transmite suas necessidades. Muitas das vezes ele encontra um profissional com mais ego que competência, que se acha dono da verdade e que não deixa meios de discussão, a verdade está nele e o cliente que aceite. Não é bem assim.

Sabemos que uma Comic Sans não vai ficar bem no logo daquela empresa séria e que fundo roxo com letras pretas não vai ser a melhor das escolhas, e temos de deixar claro para o cliente isso. Não é uma das tarefas mais fáceis defender seu projeto e ponto de vista, mas lembre-se sempre dessas dicas:

1 – Você NÃO é o público-alvo, pesquise o público real para entendê-lo.

2 – Nunca deixe seu cliente pensar que você sabe mais, apesar de muitas vezes saber.

3 – Ouça muito, fale pouco. Pelo menos na primeira reunião.

4 – Não seja pretensioso, você é um profissional como qualquer outro e não um mensageiro divino para a beleza na Terra. Aprenda com o cliente. Você não é um artista. Está prestando um serviço, não encare um projeto como uma cria sua, ele foi encomendado. A não ser que você tenha seu estilo próprio e foi contratado por isso.

5 – Se o cliente estiver errado, argumente, ouça, argumente, ouça e se ele insistir no erro, deixe claro que você avisou. Ele pode jogar na sua cara depois.

6 – Cobre por hora! (Essa é boa)

7 – Seja humilde com seu cliente (essa é difícil). É uma área cheia de egos, o cliente sabe disso e espera que você seja diferente dele e que resolva seu problema, mas uma pessoa cheia de si pode destruir uma boa conversa e melar uma ótima oportunidade de job, mas não aceite jobs com briefings duvidosos, eles quase sempre acabam mal. Analise antes de aceitar.

Edit01:

8 – Não pense somente no dinheiro, se o cliente for mala, caia fora! Você não vive somente de dinheiro, pense no seu portfólio, é o seu ganha pão, pense que por mais que se pague bem em um job ruim, você sempre irá depender do seu portfólio para novos negócios.

Estas não são diretrizes, são algumas coisas que se aprende no decorrer do tempo e que ajudam a amadurecer o processo cliente/designer. Não são verdades absolutas, podem ser quebradas em determinados casos, portanto, absorva com cuidado na medida em que você lidar com seus clientes, o que requer muita paciencia.

Uma refação desagrada e muito. Só essa semana acho que fiz umas 3 vezes a mesma tela, mas sei que isso poderia ter sido evitado com um bom briefing e uma reunião. Pensar somente no dinheiro e aceitar qualquer modificação sem o mínimo de argumento é o caminho mais fácil para a decadência (lembre-se do portfólio) e olha que muitas agências pensam desse modo. A refação demasiada leva a um desgaste físico e mental, tanto para a agência, como para o designer e até mesmo para o cliente. Infelizmente é uma realidade.

Mas se serve de consolo, até Leonardo da Vinci teve de refazer vários de seus quadros. Imagina isso sem o Control+Z.

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