Liberdade programada

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Uma passagem do capítulo A não-coisa [2], do Mundo Codificado, de Vilém Flusser:

“A mão, a atividade de apanhar e produzir, tornou-se supérflua (…). As mãos tornaram-se supérfluas e podem atrofiar, mas as pontas dos dedos não. Pelo contrário: elas passam a ser as partes mais importantes do organismo. (…) As pontas dos dedos são indispensáveis para pressionarmos as teclas. O homem, nesse futuro de coisas imateriais, garantirá sua existência graças às pontas dos dedos.

E aí se pode perguntar o que acontece, em termos existenciais, quando pressiono uma tecla. (…) Eu escolho uma tecla, decido-me por uma tecla. (…) O homem emancipa-se do trabalho para poder escolher e decidir. (…) Essa liberdade das pontas dos dedos, sem mãos, é no entanto inquietante. (…) A liberdade de decisão de pressionar uma tecla com a ponta do dedo mostra-se como uma liberdade programada, como uma escolha de possibilidades prescritas. (…) Essa é portando a liberdade de decisão que nos é aberta pela emancipação do trabalho. Totalitarismo programado.”

Saiba mais sobre o livro O Mundo Codificado aqui.

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