Estudo em Vermelho

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Quando a gente fala de inserir emoção em uma peça, usar cor é um jeito mais fácil de obter resultado. Isso porque a cor fala diretamente à emoção. Segundo uma palestra da Martha Gabriel, sobre a cor no webdesign, “cores e formas são os dois elementos básicos da comunicação visual. A forma afeta o intelecto, entidade tangível e a cor afeta as emoções, entidade intangível e puramente visual.” O cérebro tende a rejeitar informações pouco estimulantes tanto quanto rejeita as que não consegue compreender ou organizar. Uma boa forma de chamar a atenção do cérebro, então é usar estímulos.

Um estímulo poderoso é a cor. Sem querer entrar no assunto da Tamara Alves (cinema), vou ter que roubar um exemplo de lá. Apesar do filme O Iluminado, de Kubrick, ser assustador e ter cenas realmente amedrontadoras, lembro-me de poucas delas. Assisti o filme há mais de 14 anos, mas tem uma cena que não me esqueço: a do elevador de sangue.
Cena do filme O Iluminado, de Stanley Kubrick

O vermelho aparece aos poucos e invade tudo, toma conta da tela inteira. Aliás, revi a cena para comentá-la aqui no blog e a cena que guardei na minha mente era até mais bonita que a original.

Mas tudo isso para dizer que a cor é um elemento poderoso nos layouts e deve ser estudada, destrinchada, dissecada, até dominando os dados científicos (ok, ainda não sei tudo isso, mas é sempre bom ter metas, não é mesmo?).

Há um tempo, por acaso, assisti a um programa no GNT falando sobre cores. Naquele dia foi sobre o rosa e depois não consegui achar as outras cores do espectro. Mas foi bem interessante. Acho que o nome era Sentido das Cores (não encontrei vídeos ou referências sobre o programa, é uma pena). Em uma das cenas eles comentaram sobre testes feitos em humanos. Eles colocavam as pessoas em um ambiente só com a cor azul e depois o mesmo tempo em um ambiente vermelho. As pessoas ficavam mais calmas no azul e mais tensas e energéticas no vermelho. Um excelente livro sobre as cores é o Psicodinâmica das Cores em Comunicação, do Modesto Farina.

Eduardo Agni, em seu texto sobre conceitos de design, define bem porque temos que conhecer a influência das cores na nossa percepção. Ele defende o ponto que as cores têm o poder de comunicação maior do que se imagina porque a percepção delas proporciona diferentes emoções e estados de ânimos em nós. Ele também aconselha que trabalhemos com o equilíbrio e com a psicodinâmica das cores, a fim de controlarmos as sensações que queremos transmitir com o trabalho executado. Além dos fatores biológicos (percepção visual), também tem que levar em conta o contexto sócio-cultural.

A percepção que temos das cores proporciona diferentes emoções e estados de ânimos em nós, e por isso elas têm poder de comunicação bem maior do que se imagina. É importante saber trabalhar com o equilíbrio e com a psicodinâmica das cores, para que elas transmitam as sensações desejadas. Cada cor transmite uma informação, sensação ou emoção diferente, isso dependendo da cultura do público-alvo, do contexto, ou mesmo das outras cores com a qual ela é combinada.

Estudo feito por David McCandless e Always With Honor sobre os significados das cores em várias culturas.

Qual é o motivo do título do post? Só que o vermelho é minha cor preferida e é apaixonante. Considerando minha volatilidade em amar ou odiar cores (já detestei lilás, agora gosto, odeio marrom mas já usei, odiei bege, agora até gosto, minha cor preferida já foi azul hortênsia), até que ela está resistindo há mais de cinco anos, muito bem, obrigada. Afinal, tenho um carro e um computador vermelho e olho para eles todos os dias.

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