Em que período da arte estariamos vivendo?

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2007

arte-moderna

Hoje enquanto eu dava uma navegada nos meus feeds, notei como de costume o quanto as criações estão cada vez mais parecidas umas com as outras. E não digo isso somente na arte publicitaria, ou seja, aquela feita para vender, mas até mesmo em trabalhos pessoais notamos uma semelhança de padrões que não chega a ser forte o suficiente para ser chamado de Movimento Artistico nem Periodo da Arte, mas são padrões que teimam em se repetir.

Quem manja pelo menos um pouco de história da arte sabe que alguns períodos foram tão marcantes que muitos artistas em sua epoca acabavam por seguir um padrão, dentre estes, alguns se destacavam, como no Art Nouveau temos Toulouse Lautrec, ao vermos seus posters logo reconhecemos sua autoria.

Há quem diga que vivemos no Período da Arte Contemporanea, mas ao meu ver, mesmo a arte contemporânea ficou tão vasta em matéria de estilos que acabou por não ter uma característica principal como os rebuscados orgânicos do Art Nouveau. Alem do mais como eu dizia no Twitter, estamos num período em que as artes ditas de museu deixaram de influenciar a maioria das peças atuais para se tornarem itens de apreciação isolada. Isso em parte pode sinalizar uma migração para outros meios como o urbano com artistas como Banksy, Os Gêmeos e outros. Outro meio muito usado são os blogs especializados e os próprios portfolios dos autores, esse meio que tem como fonte principal a internet, muitas vezes é prejudicado pela imensa quantidade de pessoas que copiam sem permissão não dó estilo mas o trabalho inteiro e isso não é raro.

Se considerarmos a internet como novos meios para disseminação da arte contemporânea, então mais um fator contribui para a mesmice: os tutoriais. Muitas vezes bem intencionado, o tutorial pode ao invés de ensinar uma certa manha, engessar quem está começando e limitar seu repertório criativo, o que contribui mais uma vez para uma padronização fraca de estilos.

Então vivemos em um período nefasto de plágios, linhas diagonais, descontrução e triângulos voadores em que a internet matou os museus? Sinceramente não sei responder.

Podemos estar passando por uma fase obscura em que museus são fechados e cada vez mais copias de estilos são vistas na rede, mas por outro lado, podemos estar vivendo em uma época de adaptação, em que os trabalhos fracos serão descartados com o tempo, uma época em que a arte foi para as ruas e para a web e os estilos de maior impacto irão resistir e finalmente serem expostos em museus e categorizados como “Tal Estilo”. Em parte, essa segunda opção é reforçada por algo ocorrido em uma palestra em que perguntei ao designer gráfico Chico Homem de Melo o que ele pensava do assunto. Ele me respondeu que estavamos vivendo o Período da Pluralidade, em que arte, design e ilustração estavam cada vez mais próximos um do outro sendo quase impossível distinguir o que é o que.
Prefiro então acreditar que estamos sofrendo influencias de períodos anteriores, como os orgânicos do Art Nouveau, as diagonais, texturas e colagens do Construtivismo Russo entre outros, poderia citar vários outros movimentos que influenciam nossa era, o cubismo, realismo, expressionismo, etc.
Podemos sim estar vivendo numa era de pluralismo, algo que ainda está indefinido demais para ser categorizado como movimento ou período e isso torna o trabalho de artistas, designers e ilustradores atuais uma vitrine de experimentação do que pode ser o próximo período ou movimento e você é parte disso.

Por via das dúvidas, largue um pouco a internet e visite um museu, posso estar viajando, mas quem sabe no futuro um trabalho seu possa estar emoldurado e catalogado como “Mestre do Pluralismo”.

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