Cartazes de Chaumont

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Complementando a exposição Connexions>Conexões, 72 cartazes compõem a mostra “O Espetáculo está na rua – cartazes de Chaumont”que fica no Tomie Ohtake até 22 de Novembro de 2009. De um lado, estão 24 peças históricas do final do século XIX – litografias de Jules Chéret, Toulouse-Lautrec e Bonnard, entre outros. Além dessas peças, há também 48 cartazes criados por designers contemporâneos como Grapus, M/M Paris, Vincent Perrottet, Phillipe Apeloig e Michel Bouvet.

É interessante olhar de que maneira a forte tradição cartazística francesa influencia a produção gráfica contemporânea. No artigo publicado recentemente no site da AIGA – “French graphic design: a contradiction in terms?” a crítica Véronique Vienne comenta justamente alguns desses cartazes, que estiveram presentes na retrospectiva da producão francesa das últimas duas décadas, ocorrida em Chaumont neste ano.

Segundo Véronique, a preferência francesa pela expressão pictórica em vez da funcionalidade gráfica é antiga. Para se ter uma ideia, ela ressalta que o ingresso nos cursos de design das melhores faculdades de arte da França ainda exige que o aluno saiba desenhar bem. E é essa linguagem pictórica que se vê na parte contemporânea da exposição – abstrata, narrativa, intrincada e bastante incomum – que, na opinião da crítica, livra o design francês dos clichês.

Chaumont não representa o estado geral do design gráfico francês, da mesma maneira que os excelentes trabalhos brasileiros expostos na Connexions>Conexões não representam o design gráfico brasileiro, pois a alta qualidade visual parece ser exceção à regra em qualquer lugar do mundo. Mas ainda que esse tipo de design autoral, voltado normalmente para a cultura, represente uma ínfima parte da produção da França, do Brasil ou de qualquer outro lugar, a sua importância está em apontar caminhos, romper estigmas, criar novas formas de comunicação que estimulem o avanço das linguagens visuais.

O dia-a-dia da maioria dos designers gráficos passa longe do prazer de criar peças desse tipo. Mas, pelo menos, poder ver de perto cartazes com impressão serigráfica que medem até 1.75 m X 1.20 m é, por si só, uma alegria. Convencer alguém a financiar uma impressão assim, quando tudo se resolve com um banner, é outra história.

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