As Línguas Asiáticas

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Ásia

A complexidade étnica, cultural e histórica do continente asiático se encontra perfeitamente retratada no quadro lingüístico da região, no qual existem inúmeras famílias, grupos, subgrupos, ramos, dialetos e variantes. Alguns desses grupamentos lingüísticos, como as línguas indo-irânicas e as uralo-altaicas, procedem das mesmas raízes que deram origem às línguas européias. Outras, como as sino-tibetanas e as dravídicas, desenvolveram-se no próprio continente asiático.Línguas camito-semíticas – As línguas da família camito-semítica são faladas no Oriente Médio e no norte da África. Dentro do continente asiático, as línguas dessa família correspondem fundamentalmente ao tronco semítico, de origem muito antiga, já que a ele pertenciam línguas já extintas, como o assírio, o fenício e o púnico, este falado em Cartago. Entre as línguas camito-semíticas subsistem ainda o árabe clássico e o hebraico.

Línguas indo-irânicas – Com as migrações arianas em direção à Ásia, as línguas da família indo-européia se disseminaram pelo continente, dando origem ao grupo indo-irânico, que se divide em dois grandes subgrupos: o índico e o irânico.

As línguas do subgrupo índico são faladas principalmente no sul da Ásia. O sânscrito é a fonte comum de todas elas e dele se distinguem duas variedades: o sânscrito clássico e o prácrito, língua vulgar que deu origem a cerca de vinte línguas modernas: o hindustani, idioma oficial da Índia; o urdo, idioma oficial do Paquistão; o bengali; o nepali; e o romani, falado no Afeganistão, que deu origem à língua dos ciganos.

As línguas pertencentes ao subgrupo irânico são faladas em todo o sudoeste da Ásia e, ocasionalmente, em regiões vizinhas. Entre elas há línguas já extintas, como o avéstico, o medo e o cita, e outras ainda empregadas atualmente, como o persa moderno, falado no Irã, no Afeganistão e no Tadjiquistão; o afegane (ou pashto), língua oficial do Afeganistão, falado também no Paquistão; e o curdo, empregado no sul da Armênia, Turquia, Síria, Irã e Iraque.

O armênio, embora incluído na família indo-européia, teve desenvolvimento independente. É falado na Armênia, Geórgia, Azerbaijão, nordeste da Rússia e em algumas regiões da Síria, Irã, Líbano e Turquia.

Línguas dravídicas – Os povos melano-indianos do sul, que constituem cerca de um quarto da população da Índia, falam línguas da família dravídica. Dentre elas destacam-se o télugo, a mais importante, falada nos estados indianos de Misore e Andra Pradesh, ao longo do golfo de Bengala; o tâmil, falado na região de Misore e Madras e no Sri Lanka; o malaiala; e o canará.

Línguas uralo-altaicas – As línguas uralo-altaicas, também denominadas turanianas, compreendem duas grandes famílias: a uraliana e a altaica, ou turco-tártara. As línguas uralianas faladas na Ásia pertencem ao grupo samoiedo, mas a maior parte delas se extinguiu ou foram bastante influenciadas pelo turco.

As línguas altaicas, ou turco-tártaras, compreendem os grupos tungúsio, turco e mongol, falados principalmente na Ásia central e na Turquia, o japonês e o coreano. As línguas do grupo tungúsio são faladas por comunidades siberianas distribuídas do oceano Pacífico ao rio Ienissei e do oceano Ártico ao rio Amur. O manchu, falado na Manchúria e no Sinkiang, é a única língua do grupo que apresenta literatura.

A área geográfica ocupada pelas diferentes línguas do grupo turco é vasta: ocupa parte da Ásia central e ocidental e alcança a Europa, no sul da Rússia e na Bulgária. São cerca de 12 línguas e diversos dialetos: o turco ou asmanli, língua oficial da Turquia, usada por minorias na Bulgária, em Chipre e na Rússia; o azerbaijano, língua mais próxima do turco, falado no Azerbaijão e no Irã; o gagaúzo, falado em comunidades da Rússia, na Ucrânia e na Moldávia e o turcomano, falado a leste do mar Cáspio, ao sul do mar de Aral, no norte do Irã e no Afeganistão. Existem ainda 12 dialetos turcomanos, entre os quais o mais importante é o tártaro, falado na Tartária e nas regiões vizinhas; o quirguiz, falado no Quirguistão e no norte do Afeganistão, e o usbeque, falado no Usbequistão.

As línguas mongólicas, excetuando-se o japonês e o coreano, que formam grupos independentes, são faladas numa área que vai do Afeganistão até a Mongólia, no noroeste chinês e no sudeste da Sibéria. O japonês, língua oficial do Japão, tem bom número de usuários nos Estados Unidos, no Brasil e em Formosa (Taiwan). Apresenta três dialetos principais: o kyushu, o seibo e o tobu. O coreano, língua das duas Coréias, é falado também no Japão e na China. Tem sete dialetos, dos quais o seul foi adotado como língua oficial das Coréias.

Línguas sino-tibetanas – A família sino-tibetana forma o conjunto lingüístico mais completo da Ásia, no qual se distinguem dois grandes troncos: o tibeto-birmanês e o chinês.

As línguas tibeto-birmanesas ocupam uma área que se estende de Caxemira ao Vietnam, geralmente divididas em três grupos: o ocidental, que compreende principalmente o tibetano; o central, com as línguas birmanesas; e o oriental, com as línguas kam-tai. O grupo ocidental é falado da Caxemira a Myanmar; o central, do nordeste da Índia e norte de Myanmar, compreende línguas como o bodo, naga, kachin, karen, chin e o birmanês, língua oficial de Myanmar; o grupo oriental é falado da Tailândia ao Laos, no Vietnam e em regiões da China. Inclui cerca de trinta línguas que, por sua vez, se subdividem em dialetos. O tai é a mais importante dessas línguas, entre as que se contam também o laociano e as línguas do ramo miao-yao faladas na China. Muitas dessas e de outras línguas faladas na Tailândia, Vietnam e Laos não tiveram forma escrita no passado e só são conhecidas por documentos contemporâneos.

A língua chinesa, por sua vez, tem no mandarim, falado no norte da China, nas províncias do centro, do oeste e do sudeste seu dialeto mais destacado. Apresenta outros cinco dialetos importantes, dos quais o cantonês, o wu e o min têm grande número de falantes.

Línguas malaio-polinésias – As línguas faladas no arquipélago indonésio, na quase totalidade da Oceania e em Madagascar dividem-se em três grandes grupos: o indonésio, falado nas ilhas de Sonda, Formosa e Madagascar; o polinésio, nos arquipélagos do oceano Pacífico, de Fidji à ilha da Páscoa e do Havaí à Nova Zelândia; e o melanésio, nas ilhas da Oceania ocidental entre a Nova Guiné e Fidji.

O grupo indonésio constitui conjunto bastante diferenciado, com diversas línguas e dialetos derivados de uma língua comum já desaparecida. O malaio é a língua da Malásia propriamente dita, da costa oeste de Sumatra e da região de Jacarta, com grande número de dialetos. Hoje é também utilizado como língua franca do arquipélago de Sonda e suas comunidades litorâneas. O sundanês é falado na parte ocidental de Java e o madurês na outra extremidade da ilha. O batak e o minangkabau são, ao lado do malaio, as línguas mais importantes faladas em Sumatra. Em Madagascar fala-se o malgaxe, língua oficial, do qual se conhecem 15 dialetos. Algumas comunidades da Nova Guiné falam línguas indonésias.

O grupo polinésio caracteriza-se principalmente por seu ramo micronésio, encontrado nos arquipélagos da Micronésia, a noroeste da Oceania, que faz a ligação entre o mundo lingüístico indonésio e as várias comunidades do Pacífico. Estima-se em cerca de vinte o número de línguas polinésias faladas em todo o Pacífico, principalmente nas ilhas da Oceania, do Havaí à Nova Zelândia e de Fidji à ilha da Páscoa. Cada uma delas se divide em maior ou menor número de dialetos. O maori, a mais importante dessas línguas, é falado na Nova Zelândia e promovido pelos movimentos nacionalistas do resto da Oceania, onde o inglês e o francês são usados como línguas oficiais.

O grupo melanésio inclui cerca de 45 línguas, agrupadas em dez conjuntos diferentes. As mais importantes são o banoni, em Bougainville; o areare, nas ilhas Salomão; o huailu, na Nova Caledônia, e o fidji. Na Nova Guiné e nas ilhas vizinhas surgiu uma espécie de pidgin à base de palavras inglesas, melanésias e de outras línguas, para satisfazer às necessidades de contato e intercâmbio entre as comunidades.

Outras línguas – Cabe citar ainda dois grupamentos lingüísticos definidos por razões geográficas: o das línguas caucasianas, faladas no Cáucaso e em planaltos vizinhos, e o de línguas faladas em regiões do norte da Ásia que tomam o nome genérico de línguas hiperbóreas ou paleo-siberianas, aparentadas com a língua do povo esquimó.

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