A morte das regras visuais, vamos curtir isso.

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sem regras

Nesses últimos anos temos visto uma propagação desenfreada das redes sociais e de uma cultura de imediatismo e urgência como nunca vimos antes. Aliado a isso, vemos a proliferação de trabalhos varejistas cuja concepção é guiada pelo “gosto visual” do cliente. Tenho pensado muito no fato de que essa cultura do imediatismo trazida em parte pela falta de um pré-planejamento está colaborando para a morte das antigas regras no design como o conhecíamos. Digo isso baseado em fatos como o das capas da Revista Veja (sabiamente criticado pelo Rodrigo Morbey) e das criações de logotipos atuais em que o “achismo” vem tanto na hora da criação como na hora da crítica, os gostos pessoais nunca estiveram tão em alta.

Basta olhar para o cenário atual do design brasileiro para ver uma clara multiplicação de sites ditos de design em que vemos uma diversidade de informações que sequer tem a ver com o tema, isso só prova o quanto estamos ficando desfalcados de bom repertório visual e de uma boa carga de conhecimento e aplicação da interpretação visual. Regras de semiótica e interpretação visual tem sido negligenciadas de tal forma que os novos profissionais estão sendo inundados de tutoriais de Photoshop ao invés de serem educados na leitura visual, tal como dito no texto do Morbey: “estamos nos tornando analfabetos visuais”. E não estamos falando das pessoas como espectadores e publico dos nossos trabalhos, estamos falando do profissional que ao invés de guiar os olhos do receptor pela página, coloca um destaque em forma de splash para o botão Curtir e com ele várias setas com brilhos externos que mais confundem do que guiam.

O design de hoje está sendo massacrado pela má publicidade, pelo imediatismo e profissional mal informado. As regras estão sendo esquecidas e estamos aceitando isso de olhos fechados. É triste ver o caminho que o design esta tomando, é triste ver que o bom profissional hoje é medido pela rapidez com que “cria” e não pela qualidade e acuidade de sua composição. Casos como este da Veja se tornaram tão corriqueiros que não fazem a mínima diferença para o publico geral, somente quem lida com o design e se aplica na teoria vê o problema imputado nas capas.

Temo que um dia, nem os profissionais saberão construir una critica construtiva e fundamentada sobre coisas como essa. E isso sim será possível, se continuarmos andando de site em site procurando tutoriais ao invés de educação visual, procurando listas de referencias “bonitas” ao invés da leitura de uma boa teoria e de um porquê nas entrelinhas dos trabalhos apresentados .

O design está morrendo e está dando lugar à criação “artístico-publicitária” baseada no “curtir”, em que um botão tem mais importância do que um conceito a ser passado e nós profissionais não estamos cumprindo nosso papel de educadores visuais.
Estamos matando as regras visuais e estamos curtindo.

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