A doce vida de Fellini

0
686

Federico Fellini nasceu em 1920 na Itália. Seus filmes possuem uma visão muito peculiar da sociedade. Em “A Doce Vida”, Fellini mostra que de doce, a vida pode não tem nada.

O filme marca sua transição de neo-realismo, até então vigente em seus filmes, onde a temática do pós-guerra traz para o cinema a realidade sem interferências, com cenários reais, poucos efeitos e pouca edição, para o simbolismo, onde os problemas reais são discutidos de maneira mais alegórica, utilizando figuras de linguagem.

A falta de comunicação, abordada durante todo o filme, se mostra logo na primeira cena, quando um helicóptero transporta uma estátua de Jesus Cristo até o Vaticano. Neste momento Marcello, vivido pelo ator Marcello Mastroianni, que está no helicóptero, tenta flertar com mulheres que tomam sol no terraço, mas não consegue pelo ruído da aeronave.
Outra característica de Fellini utilizada é fragmentação da narrativa do filme, o que muito diferencia este dos tradicionais filmes que seguem uma linearidade no roteiro.

A história do filme se passa em Roma e explora muito bem todas as belezas arquitetônicas da cidade.

Marcello Rubini é um jornalista que vive cercado pela burguesia da época, com a sua frivolidade e vazio existencial. Marcello, na maior parte do filme se mostra apático, conformado com tudo aquilo. No decorrer do filme, ele encontra pessoas que também personificam o espírito da época.

É o caso de Steiner, amigo de Marcello que aparentemente tem uma vida comum, com família e uma boa carreira. Entretanto, comete suicídio após matar os filhos.

Outros personagens marcantes do filme são as mulheres de Marcello. Sylvia mostra uma faceta desse novo mundo onde o espetáculo começa a ganhar força. Ela é uma jovem atriz hollywoodiana. É a americanização da Itália (e consequentemente do mundo). A cena em que ela e Marcello se banham na Fontana Di Trevi é uma das mais famosas do cinema.

a-doce-vida (1)
Maddalena não sabe o que quer exatamente, se prefere ter Marcello ou todos os outros homens que queira. E, por fim, temos Emma, que ama Marcello de maneira incondicional, para não dizer doentia. Ela tenta preencher seu vazio com a figura de Marcello. Todas as três se mostram perdidas, mas tão perdidas quanto elas está Marcello. Quer ter todas, mas não consegue lidar com nenhuma.

Outro personagem muito conhecido é Paparazzo, que toma parte nesse novo mundo como um fotógrafo persuasivo, que persegue celebridades. Foi ele que deu origem ao termo “paparazzi”, tão difundido hoje em dia.

Estes personagens compõem uma Itália triste, vazia, um retrato da individualidade que a modernidade traz. O sagrado e o profano são, a todo o momento, confrontados. Como na passagem onde crianças afirmam ter visto a Virgem Maria. Centenas de jornalistas transformam aquilo em um verdadeiro circo, retratando o fato de maneira um tanto sensacionalista.

O filme venceu o Oscar na categoria de melhor figurino e foi indicado nas categorias de melhor direção, roteiro original e direção de arte, além de ter ganho a Palma de Ouro.

RECEBA NOSSAS ATUALIZAÇÕES GRÁTIS
Enviamos nossos novos posts por e-mail para que você não perca nenhuma novidade!